Um pouco sobre o IPv6 Móvel (MIPv6)

O protocolo IPv6 móvel (MIPv6) objetiva possibilitar que os dispositivos móveis possam se movimentar de forma transparente entre as subredes provenientes de tecnologias de acesso diferenciadas, como por exemplo, IEEE 802.16 – WiMAX e IEEE802.11 – Wi-Fi, sem perder as comunicações que estão sendo realizadas. O diferencial do MIPv6 é que sem o seu suporte, todos os pacotes enviados ao terminal móvel seriam perdidos quando ele estivesse fora da rede de origem.

No MIPv6, um terminal móvel, independente de seu ponto de conexão com a internet está sempre disponível num mesmo endereço IP, denominado de endereço domiciliar – é o endereço IPv6 fixo global, o qual é utilizado por todos os dispositivos correspondentes para se comunicarem com o terminal móvel.

Caso o terminal móvel esteja fora de sua rede de origem, ele contará com dois endereços para manter sua interface com a rede:

a) Um endereço domiciliar permanente, o qual será utilizado pelos dispositivos correspondentes para efetuarem suas comunicações;

b) Um endereço denominado de Care-of-Adress (CoA), o qual será configura do um para cada rede visitada.

Para se obter um CoA tem-se várias alternativas: Ou se adquire pelas maneiras convencionais do IPv6 – por stateless autoconfiguration, quando gera-se o endereço a partir de informações fornecidas pelos roteadores das subredes [Thomson and Narten, 1998], ou o endereço é obtido através do stateful autoconfiguration, quando o endereço e os parâmetros de configuração são provenientes de um servidor, como por exemplo os mecanismos Dynamic Host Configuration Protocol version 6 (DHCPv6) [RFC 3315, 2003] e Point to Point Protocol version 6 (PPPv6) [RFC 2472, 1998].

Quando a rede visitada detecta o movimento e configura seu CoA, uma mensagem Internet Control Message Protocol version 6 (ICMPv6) de Binding Update (BU) é enviada pelo dispositivo móvel para seu Agente Domiciliar, para que este associe seu endereço domiciliar com o seu CoA, informação que é registrada em um cache local do Agente Domiciliar. Por sua vez, este envia um Binding Acknowledgement (BA) para o terminal móvel. Dessa forma, o Agente Domiciliar atua como um proxy, que faz a interceptação de todos os pacotes que tenham como destino o terminal móvel, enviando-os ao terminal móvel através de um túnel. Quando o Agente Domiciliar atualiza seu cache faz o encaminhamento direto dos pacotes ao terminal móvel.

A comunicação entre o terminal móvel e o dispositivo correspondente pode se dar de duas formas:

a) Por meio de tunelamento bidirecional onde todos os pacotes são encaminhados através do Agente Domiciliar e o dispositivo correspondente não necessita de suporte ao MIPv6. Ocorre o roteamento dos pacotes com origem no nó correspondente para o Agente Domiciliar. Este os envia ao terminal móvel via túnel. No sentido contrário, os pacotes enviados pelo terminal móvel ao nó correspondente, chegam via túnel (túnel reverso) ao Agente Domiciliar, sendo roteados normalmente da rede domiciliar para o nó correspondente. Os pacotes destinados ao terminal móvel são interceptados pelo Agente Domiciliar por meio do proxy Neighbor Discovery. 

b) Por meio da otimização de roteamento, sendo considerado mais eficiente. O processo se dá da seguinte forma: além do registro com o Agente Domiciliar o terminal móvel associa o seu CoA com o nó correspondente e este pode endereçar diretamente ao CoA seus pacotes, o que melhora a escalabilidade do protocolo, além de minimizar o tráfego de rede.

Visto que durante a visita a uma rede o terminal móvel terá mais de um endereço em sua interface – seu endereço domiciliar e os CoA, o qual poderá se comunicar com qualquer um desses endereços. No entanto, deve-se ressaltar que para manter a transparência para as camadas superiores às de rede, o endereço a ser utilizado pelo terminal móvel deverá ser o seu endereço domiciliar. Segundo [Perkins, 2002] e [Koodli, 2005] para se manter a transparência para as camadas superiores, deverá ser inserido no campo endereço de origem o CoA mudando-se o endereço domiciliar para o campo home address, com um cabeçalho que tenha a extensão de roteamento.

REFERÊNCIAS

[RFC 2472, 1998]

[Thomson and Narten, 1998]
Thomson, S., Narten, T. IPv6 Stateless Address Autoconfiguration, RFC 2462, dez 1998. Disponível em http://www.ietf.org/rfc/rfc2462. txt

[RFC 3315, 2003]

[Perkins, 2002]
Perkins, C. Mobility Support for IPv4. IETF RFC 3220, ago 2002. Disponível em http://www.ietf.org/rfc/rfc3220.html.

[Koodli, 2005]
Koodli, R. Fast handovers for Mobile IPv6, RFC 4068, jul 2005. Disponível em http://www.ietf.org/rfc/rfc4068.txt

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